Expressa o facto no momento em que se fala. Pessoal e transmissível.
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Mai 12
publicado por José Maria Barcia, às 16:22link do post | comentar

Os professores ensinam. É essa a sua principal função. Os professores devem ensinar. É por isso que são professores. Os alunos aprendem, ou pelo menos devem aprender. É por isso que vão à escola. Mas isto dos professores, tem muito que se lhe diga.

 

Há professores bons e professores maus. Há professores que fazem maravilhadas durante uma aula. São cativantes, ajudam a aprender, gostam de ensinar e são bons no que fazem. Muito resumidamente, basta isto para ser um bom professor. São estes que o aluno guardará na memória. É possível medir a qualidade de um professor pelo tempo que este reside na memória de um aluno seu. No meu percurso académico tive dois professores que nunca mais vou esquecer. Hei-de estar a jantar com os meus filhos e contar-lhes como as aulas desse docente eram muito mais que aulas. O primeiro, tinha 13 anos, fez-me ‘’ver em vez de olhar’’. Foi esta a primeira frase que troquei com ele. Era professor de Língua Portuguesa e é graças a ele que me apaixonei pelas letras. Chama-se António Carlos Cortez. O segundo foi meu professor no primeiro ano de faculdade, ainda em Direito. Eduardo Vera-Cruz é o nome. Lembro-me de ansiar pela entrada dele na sala de aula. Sabia de antemão que a matéria de História do Direito seria dada pela assistente dele. E ainda bem. A sua função enquanto professor – aquela de ensinar – não se podia limitar às origens do Direito. Não, uma aula com ele era um prazer de ouvir quem tem algo para dizer e gosta de o favor. É muito difícil ter um professor que confie em caloiros de faculdade como ele confiava. Confiava-nos o futuro. E quando lhe disse que ia mudar de curso, que o de Direito não me satisfazia, ele concordou. E respondeu, a um miúdo de 18 anos – ‘’tens razão, esta merda não é para ti’’ e repetiu o palavrão mais duas vezes. Foi uma prova de confiança falar assim comigo. E os problemas em trocar de curso desapareceram naquele momento.

 

Infelizmente, há sempre o reverso da medalha. Os professores maus são os velhos. Não de idade mas de espírito. Um professor mau não gosta de ensinar. Fá-lo apenas por duas razões – orgulho ou obrigação em ser professor. Este professor será esquecido no dia em que sair pela última vez da sala de aula. Estes professores não prestam. Não merecem ser professores pois o que têm a dizer é só deles. O que ensinam – vulgo matéria para o teste – é muitas vezes livros do próprio. Não gosto destes professores. Fazem com que o acto de os ouvir seja equiparável ao toque de agulhas nos olhos – acreditem não é agradável. Este professor velho não consegue criar relações com alunos. Prefere ser virtualmente idolatrado. Vive a pensar que é melhor do que realmente é. Ainda não percebeu, e muito por falta de auto-crítica, que ninguém lhe presta o respeito que ele acha, por bem, merecer. O professor velho é o maior problema na Academia. Deixou de ter espaço mas agarra-se à cadeira. É como um polvo com oito tentáculos agarrados àquilo que o próprio acha que o torna alguém.

 

O professor velho não é ninguém. É uma pessoa iludida do seu mérito. Que é pouco ou nenhum.


Concordo a 100% com este texto. Muitas vezes nem é a o tema da cadeira que é relevante mas quem a dá. E é bem verdade, o mundo está cheio de dinossauros que se recusam a adaptar e a melhorar. Se o aluno o faz (ou deveria fazer), porque não também o professor?

Cumprimentos
André Carvalho a 23 de Maio de 2012 às 10:29

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